Porto Alegre criativa

Porto Alegre criativa

Porto Alegre, culta e criativa

 

Honrando o nome da nossa cidade, somos um Porto, alegre, aberto para receber o que é novo e pronto para exportar o que temos de melhor. Não é à toa que somos o berço de grandes poetas, músicos, escritores, artistas e empresários, reconhecidos no mundo todo por sua capacidade criativa e inovadora. São eles que servem de inspiração para os novos talentos que aparecem na nossa cidade e em nosso Estado – e permanecem como exemplos do que podemos alcançar.

De Mário Quintana, que sonhava em conhecer todas as ruas da cidade, a Jorge Gerdau, que fez de Porto Alegre a matriz de suas conquistas: são inúmeros os talentos individuais que nasceram ou que fincaram suas raízes aqui.

O porto-alegrense, como bom gaúcho, tem sua opinião e cultura próprias, herança de antepassados que lutaram por sua terra, ou seja, lutaram por seu lugar no mundo. Um lugar onde colocamos nossa bandeira, criamos nossas instituições, lembramos os feitos honrados e pensamos no futuro. Porque aqui, passado e futuro, memória e inovação, convivem como conterrâneos. Sabemos valorizar o que é nosso, o que é autenticamente da nossa terra. Um exemplo disso é a mudança de estratégia de marketing que muitas empresas multinacionais são obrigadas a adotar quando focam no público gaúcho. Não acredito que seja puro bairrismo, mas, sim, o reconhecimento de que o que criamos e desenvolvemos por aqui, possui um “selo de qualidade”. Um selo, mas não um rótulo: porque são os diferentes talentos individuais, com suas histórias e idéias singulares, que constroem o nosso patrimônio comum.

Sabemos apreciar o que é bom e rejeitar aquilo que não nos serve. Os grandes concertos internacionais cada vez mais desembarcam em Porto, como carinhosamente chamamos nossa cidade. Grandes empresas, dos mais diferentes setores, instalam suas fábricas aqui. Produções cinematográficas e televisivas nos escolhem como cenário, e seguidamente se valem de nosso celeiro de profissionais qualificados. Nosso cenário cultural é rico, com museus, teatros, belas exposições de arte e eventos que alimentam um público que consome e aprecia o que é bom.

No ramo da comunicação, nossas agências de publicidade e veículos de comunicação repetidamente são agraciadas com prêmios nacionais e internacionais, provando que mais do que criar, sabemos transmitir nossas idéias.

Na área da ciência e tecnologia, já somos considerados um pólo nacional. Possuímos a CEITEC, empresa de vanguarda na América latina, na fabricação de microchips, inaugurada pelo Presidente Lula no início do ano passado.

Se somos de uma cidade que respira cultura, inovação e criatividade, é porque nunca deixamos de olhar com atenção para essas áreas. E olhar para elas significa também olhar para o futuro.

Assim, se faz necessário:

-Maior apoio a projetos e iniciativas, tanto públicas quanto privadas, que visem a contribuir para o desenvolvimento dos diferentes campos de inovação tecnológica, cultural e científica.

-Maior aproximação com as universidades e disponibilização de bolsas de estudos tanto no Brasil, quanto no exterior, incentivando a competição sadia no campo da educação.

-Repetir políticas internacionais bem sucedidas, como, por exemplo, a de algumas cidades africanas que em poucos anos tornaram-se pólos tecnológicos graças aos investimentos feitos em laboratórios e programas científicos.

-Dar atenção às opiniões e idéias dos cidadãos nas redes sociais, o que já denota a necessidade de uma maior inserção do Estado no meio digital, criando mais interatividade com o público e facilitando a troca de conhecimentos. Aqui, os esforços não podem ser apenas virtuais.

-Dar prioridade ao campo da propriedade intelectual, tão pouco conhecido, mas de valor inestimável para o avanço cultural e tecnológico de qualquer povo. Afinal, para atrair maiores investimentos nas áreas relacionadas, se faz imprescindível a garantia de proteção legal. Um recente exemplo de atenção a essa área é o reconhecimento à proteção dos Doces de Pelotas, como indicação geográfica. Será que não temos nada para proteger da mesma forma aqui?

Assim, é preciso fazer um diagnóstico para identificar onde o foco das atenções deve recair. Exemplo: por que não um levantamento anual do número de depósitos de patentes, pedidos de registros de marcas e softwares?

-Valorização da natureza culta e criativa de nossa cidade, com a promoção de eventos culturais, criação de campanhas e slogans, visando não só à Copa de 2014, mas à criação de uma identidade capaz de atrair a atenção de turistas e investidores. E, é claro, capaz de reforçar o orgulho de se viver em Porto Alegre.

Leonardo Braga Moura