A Nova Política Industrial

A Nova Política Industrial

(Publicação: Jornal do Comércio – Coluna Opinião)

A nova Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Eletrônico – PITCE é um marco positivo para o setor de Tecnologia da Informação brasileiro. A árdua luta que o setor de TI vem travando no sentido de ter sua relevância econômica finalmente reconhecida teve seu primeiro grande eco, já que das 57 ações estratégicas que fazem parte da política, 9 são direcionadas especificamente para a área.

Analisando-se de forma macroscópica, jamais algum Governo deu tanta ênfase ao desenvolvimento tecnológico como fator estratégico para o desenvolvimento do País, mesmo se considerarmos o fato da PITCE ter vários pontos conflitantes ou omissos em relação à grande expectativa do setor de TI.

É importante, portanto, que o setor aproveite essa excelente oportunidade e protagonize ações que colaborem efetivamente para que a intencionalidade se transforme em realidade.

Para tanto, cabe analisar que para ampliar a produção, o governo pretende gerar novas formas de financiamento e fomento, tanto empresarial quanto acadêmico; garantir incentivos fiscais; elaborar uma estratégia para que as multinacionais instaladas no Brasil sirvam de porta de entrada no mercado externo; e, ainda, incentivar o empreendedorismo nacional, apoiando pequenas empresas e incubadoras em Universidades.

Mas o Governo não pode esquecer da premissa que buscar mais espaço em outros mercados não significa absolutamente abandonar as empresas nacionais no seu próprio país, lembrando que a cada ano o Brasil importa cerca de U$ 1 bilhão em softwares.

Se o software nacional não serve para o nosso “consumo” como iremos comercializá-lo lá fora?

Não basta o orgulho de sabermos que a nossa indústria de software possua uma incrível capacidade de adaptação às necessidades de cada cliente, e um conhecimento profundo de setores específicos. Tudo isso, que é apontado como um trunfo das empresas brasileiras na busca por fatias maiores do mercado internacional, precisa antes ser aplicado aqui.

Precisamos portanto apostar na qualificação das empresas de TI seguindo os padrões exigidos internacionalmente. É fato que a certificação das empresas dá mais segurança ao comprador internacional e alinha nossos desenvolvedores aos padrões globais de mercado. E, isto é independente da tecnologia utilizada, não importando se é software livre, proprietário ou qualquer outra nomenclatura utilizada hoje em dia para segregar os modelos comerciais existentes e que, muitas vezes, seus defensores esquecem, em sua prática verborréica e com muito pouco resultado prático econômico, de perguntar a sua majestade, o cliente, o que este precisa e quer utilizar.

Paralelamente a isto, a aprovação da Lei de Inovação, que deverá ser encaminhada ao Congresso na primeira quinzena deste mês trará um benefício ao setor. A nova lei atua na relação das universidades e institutos de pesquisa com as empresas, possibilitando o fechamento de acordos de parceria entre as áreas, com foco na criação de novos produtos e processos.
Na prática, todos estes pleitos serão analisados e aprovados pela recém criada Agencia Brasileira de Desenvolvimento Industrial, que coordenará e implementará a nova PITCE.

Esta agência, que lembra o CDI – Conselho de Desenvolvimento Industrial, criado com a incumbência de comandar a política industrial dos anos 60, abrigará o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, e irá definir daqui para frente as diretrizes e as estratégias da política industrial brasileira.

O Governo Federal também já informou que pretende ampliar a participação das empresas nacionais no mercado interno e promover o crescimento das exportações, utilizando dentre outros o Prosoft, com financiamento de R$ 100 milhões em 2004. É um começo…

No entanto, é impossível não comentar que dos R$ 15 bilhões que estão sendo distribuídos/financiados de várias formas pela política, a fatia do setor é muito, muito pequena…